Astrônomos identificaram a estrela S301, até agora a mais próxima e mais rápida conhecida em órbita de Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea. A descoberta, publicada nesta quarta-feira (19) na revista Nature, revela uma estrela que completa uma volta ao redor do objeto em apenas 8,7 anos e chega a aproximadamente 90 milhões de km/h, equivalente a cerca de 8% da velocidade da luz.
Embora o fenômeno esteja a cerca de 27 mil anos-luz da Terra, a descoberta tem importância para a compreensão da gravidade em condições extremas. Estrelas que orbitam Sgr A* funcionam como verdadeiras sondas naturais, permitindo aos pesquisadores observar como o espaço e o tempo se comportam nas proximidades de um buraco negro.
A S301 se aproxima de Sgr A* até cerca de 12 unidades astronômicas, distância equivalente a 12 vezes o intervalo entre a Terra e o Sol. Isso significa que sua passagem ocorre aproximadamente dez vezes mais perto do buraco negro do que a trajetória da estrela S2, até então uma das principais referências para esses estudos.
Órbita ajuda a testar a teoria de Einstein
A observação foi possível graças ao instrumento GRAVITY, instalado no Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, no Chile. A estrela apareceu inicialmente nas observações de 2023, mas pesquisas em arquivos permitiram identificá-la também em imagens de 2021 e 2017.
Ao todo, 19 posições registradas durante oito anos foram suficientes para reconstruir sua trajetória e determinar uma órbita extremamente alongada. Os dados mostram ainda uma precessão de aproximadamente dois graus a cada volta, fenômeno previsto pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein.
A característica mais importante, porém, está na proximidade da estrela. Como a rotação de um buraco negro provoca um efeito conhecido como arrasto do espaço-tempo, quanto mais próxima estiver uma estrela, maior a possibilidade de detectar essa influência.
Os pesquisadores estimam que, com aproximadamente mais uma década de observações, a trajetória da S301 poderá fornecer dados suficientes para medir a rotação de Sgr A*. A informação ajudaria a testar com maior precisão as previsões da relatividade geral e também teorias alternativas que propõem modificações nas leis conhecidas da gravidade.
Apesar da proximidade, a S301 não corre risco imediato de ser destruída. Os dados indicam que ela é uma estrela comum da sequência principal, com aproximadamente 1,5 vez a massa do Sol, estrutura que a mantém suficientemente compacta para resistir às forças de maré do buraco negro.
A origem da estrela ainda é uma hipótese. Sua órbita extremamente alongada pode estar relacionada a um antigo sistema binário que se aproximou de Sgr A*. Nesse cenário, a interação gravitacional teria separado as duas estrelas, lançando uma delas para longe em velocidade extremamente elevada.
O próximo passo será acompanhar a S301 com novos instrumentos capazes de medir também seu movimento na direção da Terra. Atualmente, duas trajetórias tridimensionais ainda são compatíveis com as observações. A combinação desses dados poderá transformar a estrela em uma das ferramentas mais precisas para investigar a rotação do buraco negro no centro da nossa galáxia.

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